Muitas vezes queremos levar o nosso cão connosco de férias para todo o lado, especialmente se ele for pequenino e facilmente transportável. Mas para além do que gostamos de fazer, temos de avaliar se o nosso cão vai ficar confortável com a viagem, com o destino, com as temperaturas do destino, e tudo o que envolve essa viagem. Neste post vou falar da experiência que tive em Barcelona no que toca aos nossos amigos de quatro patas.

Fui para Barcelona de avião, porque não tinha muitos dias de férias restantes, e, depois de ponderar, essa foi a decisão tomada para poder aproveitar mais tempo no meu destino, do que propriamente em viagem.
As companhias low-cost como a Rayanair e EasyJet não permitem o transporte de animais de estimação, logo, se queremos levar o nosso cão para Barcelona temos de pagar um preço automaticamente mais elevado (como na TAP), para além do preço do transporte do nosso cão, claro.
A viagem de avião até é curta (cerca de 1h30-2h00), mas, para um animal de mais de 7kg (como o caso dos meus), eles teriam de ir no porão. Eu não sei como é o porão, mas imagino um sítio barulhento, meio escuro, sozinhos e enfiados numa caixa de transporte. A juntar a todos os incidentes que se têm vindo a observar em animais transportados em aviões, terminando no óbito dos animais, fico com muito medo de viajar de avião com eles, para além de considerar um ambiente stressante. No entanto, há pessoas que transportam os seus animais em viagens aéreas e nunca tiveram qualquer problema. 
Estes são os aspetos que temos de considerar sobre a viagem: vamos de carro ou vamos de avião? O meu cão pode viajar na cabine ou tem de ir no porão? Quantos incidentes com o transporte de animais ocorreram com determinada companhia aérea? Posso pagar o preço do meu bilhete, mais o do meu cão, ou compensa ficar com um familiar ou petsitter? Quanto tempo estarei fora, valerá mesmo a pena sujeitar o meu cão ao stress de um avião por dois ou três dias?

Se ao responder às perguntas anteriores, percebermos que o nosso cão está treinado e tranquilo com barulhos, pessoas, caixas de transporte, e confiarmos na companhia aérea em questão, então certo, vamos viajar! Mas, antes da decisão final, temos de analisar o destino.

No caso de Barcelona, visitei na segunda semana de Setembro, e ainda se faziam sentir temperaturas dos 21º até aos 29º. Esteve bastante calor, e assumo que seja uma cidade tipicamente quente no Verão (>30º). Com isto, quero dizer, que para conhecermos Barcelona temos de andar de um lado para o outro, e isso pode implicar andar bastante a pé, de metro e outros transportes, e não será confortável para um cão andar várias horas com 28º, e tanto tempo. Vamos assumir então que concordamos que não vale a pena submeter o nosso cão a esse esforço… Existem muito poucas casas (moradias) no centro de Barcelona, significa que provavelmente terá que ir para um Hotel/Hostel/Alojamento local. Valerá a pena deixarmos o nosso cão fechado numa casa desconhecida o dia todo? Não ficaria mais confortável num petsitter com outros amiguinhos, ou, preferencialmente, na casa de um familiar? 

A cidade de Barcelona é bonita de se ver – não fiquei rendida de amores pela cidade – mas adorei tê-la visto e ter feito o check na minha lista. Como diz a minha avó “não vale a pena morrer burra” 🙂
Mas, para além da cidade em si – parques, edifícios e avenidas, – na minha opinião, o mais importante de se ver são os museus e obras de Gaudí. Na minha perspetiva (ooooutra vez), visitar Barcelona sem visitar a Sagrada Família, Casa Batlló, Parque Guell (não é indispensável, mas é bonito), e até mesmo La Pedrera, Museu Marítimo, e outras atrações, é não ficar a conhecer Barcelona. Onde é que eu quero chegar? É que se não quisermos deixar o nosso cão fechado o dia todo no alojamento, também não podemos visitar estas atrações porque não é permitida a entrada dos nossos animais. E devo dizer, não vi nenhum estabelecimento a aceitar cães (nem mesmo no metro vi algum). Portanto, temos de fazer uma escolha, ou os deixamos em casa, ou no alojamento sozinhos, ou não podemos entrar nestes sítios que são o que mais valem a pena em Barcelona.

Para rematar, para conhecer Barcelona bastam 3 noites, e para uma visita com mais calma 4 noites. O dinheiro que se gasta num petsitter à partida é mais barato do que viajar numa companhia que aceite animais, pagar o lugar deles, pagar um hotel que aceite cães eeeee ainda considerar todo o stress envolvido nestas viagens para um patudo.

Os meus cães ficaram em casa dos meus pais, que também têm um patudo da mesma raça, e é irmão da Flora. Ficaram todos juntos, na brincadeira, com direito a passeio, petiscos e a passar a noite numa tripla conchinha. Tivemos mais saudades deles, do que eles nossas, tenho a certeza. E em 5 dias estávamos de volta.

Em jeito de conclusão, não considero que valha a pena levar os nossos patudos para Barcelona pelas temperaturas que se fazem sentir no Verão que é quando a maioria viaja, pelas condições que a cidade oferece, ou seja, não há muitos sítios onde os cães possam entrar (embora existam parques específicos para os cães), pelas atrações da cidade, porque são maioritariamente sítios fechados (onde não podem entrar), e pela viagem implicar todos os gastos e stress ao patudo.

Serve este texto para resumir a minha experiência em Barcelona sobre o que a cidade tem ou não a oferecer aos nossos patudos, e achei que eles não iriam ganhar muito em ir! Farei um parecido sobre o Algarve em breve. Espero que tenha sido útil, e boas viagens!