Viver bem, sem crueldade 🌱

Há várias maneiras de gostar de animais, e de quais animais gostar. No entanto, há uma série de atitudes que podem ser tomadas visando a segurança e bem estar dos animais, independentemente de gostarmos deles ou não, certamente vamos ficar melhor com nós próprios se tivermos a consciência de que a nossa vida não prejudica o próximo, mesmo que o próximo tenha quatro patas 🙂
Vamos enumerar o que podemos mudar na nossa vida, que visam o bem estar animal, ou pelo menos, visam terminar o seu mau estar.
- Não frequentar circos com animais.
Este ponto é o mais fácil de todos, porque basta não ir. Até pode ser engraçado ver um tigre passar num arco em chamas, ou um elefante andar em duas patas; no entanto, só é engraçado quando somos ignorantes em relação ao sofrimento animal que está em causa. Estamos a falar de animais (como os elefantes) que devem estar em liberdade e que sofrem quando são separados das suas famílias para passar o resto dos seus dias em cativeiro, e forçados a fazer truques inúteis através de muito sofrimento e chicotadas. O mesmo para os ursos e outros. Uma vez fui a um circo que tinha animais, quando era miúda, e deram-me um tigre filhote para a mão para tirar uma fotografia por 5€. Conseguem imaginar o stress daquele filhote por ter sido retirado da mãe e estar a passar de mão em mão para tirar fotos? Alguns deles são até sedados para não atacar. Não existe motivo para contribuir para este sofrimento, podemos divertir-nos com tantas outras coisas… E se gostarem mesmo de circo, porque não optam por aqueles que não têm animais?
- Não frequentar zoos/oceanários ou outros.
Este ponto é outro muito fácil de conseguir realizar, porque também basta não comparecer. Basta pesquisar um bocadinho para percebermos o quanto sofre uma orca, um leão marinho ou um golfinho por ter de estar preso num aquário, andar às voltas em vez de poder nadar livremente e em “família”. Há documentários que mostram que os dentes das orcas são cortados, que alguns animais entram em stress profundo, alguns são estimulados sexualmente o tempo inteiro para poderem inseminar as fêmeas, e outros começam a atirar o corpo contra os vidros devido ao elevado stress em que se encontram por não poderem nadar, para não falar que alguns passam o tempo fechados em tanques onde não conseguem nem dar a volta. Depois de termos consciência disto, vale a pena continuar a ir a oceanários? Com os zoos a mesma coisa, os animais têm instintos caçadores e algumas espécies têm fortes laços familiares. Por quê quebrar tudo isso?
- Não tirar fotos com animais selvagens (leões, tigres, corujas, cobras, …)
Parece um ponto repetitivo, mas não é. Existem inúmeros parques aquáticos, parques de diversões, shoppings, etc., que disponibilizam vários animais selvagens para exposição ou para poderem tirar fotos com eles. Se não puderem evitar estes espaços (porque às vezes é sasonal – só no verão onde existem muitos clientes), não compactuem nunca com essas fotografias. O mesmo para animais não selvagens, se um artista de rua estiver a fazer uso de um cão/gato para entrenimento alheio, não compactuem.
- Não nadar com golfinhos, leões marinhos, … ou andar em charrettes, camelos ou outros.
Este ponto também parece repetido, porque basta não ir a oceanários para não nadar com golfinhos. No entanto, não tenho a certeza que os oceanários sejam os únicos a disponibilizar esse “serviço”. Existem maneiras de ver golfinhos que não impliquem maus tratos e cativeiro, falaremos deles a seguir. O mesmo se aplica a cavalos/burros que puxam charrettes ou camelos que transportem pessoas, ou qualquer outro animal. Numa boa parte dos casos estamos na presença de animais usados para que os donos os possam “rentabilizar” de alguma forma, sendo que alguns não têm a mínima preocupação com o bem estar animal, existindo várias notícias de animais que morrem por desidratação, calor excessivo, tem problemas devido ao cansaço físico extremo e contínuo, etc. As charrettes não são românticas se implicarem que os cavalos que a transportam sejam obrigados a fazê-lo todos os dias, várias horas por dia…
- Incluir opções vegetarianas na alimentação.
Este ponto pode ser mais complexo para algumas pessoas, porque existe o preconceito de que os vegetarianos ou veganos só comem alface, arroz e massa. Mas não é verdade, existem pratos e sobremesas absolutamente deliciosos e vegan. Se experimentam língua de vaca e fígado, por que não dar uma hipótese a um prato vegetariano ou vegano? 🙂 Falando mais seriamente, escolham restaurantes que tenham boas reviews, por exemplo no tripadvisor. Alguns restaurantes de carne/peixe não têm boas opções vegetarianas (não é o foco de vendas deles e portanto não investem na melhoria desses pratos), e portanto podem ficar a pensar que comer sem carne não é para vocês, por isso, escolham bem antes de gastar o vosso dinheiro! 🙂
- Não vestir peles, penas ou outros que incluam sofrimento animal.
Este ponto também considero muito fácil, porque é só olhar para a etiqueta 🙂
Casacos, cintos, bolsas, carteiras, botas e entre outros, têm alternativas sem crueldade, e é isso que devemos procurar. Sabiam que no caso de alguns animais a pele lhes é retirada com eles vivos? Como se matar os animais para vestir já não fosse suficientemente cruel, ainda o fazem com eles vivos, a sentirem toda a dor. Não podemos, nem devemos, compactuar com isto. Não precisamos de casacos de penas, de pêlo verdadeiro (sabiam que cães também são usados nesta indústria?) ou de botas de pele/camurça. Vamos escolher bem, e vestir de consciência tranquila 🙂
- Não participar em touradas, lutas de cães, pesca desportiva, e qualquer outros desporto/entretenimento que faça uso do sofrimento animal.
Esta também é óbvia. Pelo menos, para mim, é óbvia. Não acho divertido ver um touro ser stressado, libertado numa arena, ser apunhalado várias vezes para acabar por morrer lentamente, para que a pior raça à faça da Terra – a nossa – se divirta. Whaaaaaat? O mesmo vai para aqueles “rodeos”, as “vaquejadas”. Até o divertimento mais “inofensivo” onde libertam um touro pela cidade amarrado a uma corda é crueldade, é stress para o touro, e existem diversos vídeos de touros que morrem de exaustão, lentamente, sozinhos. Dá muito dó e não consigo perceber o que há de divertido ou até certo nisso. Coloca em perigo as pessoas e os animais. O mesmo vai para a pesca desportiva… Sabiam que a pesca desportiva mata muitos peixes? O anzol perfura membranas e por vezes estão demasiado tempo fora de água, e quando devolvidos à água ainda estão vivos mas muitos deles acabam por morrer.
- Optar por comprar produtos veganos e não testados em animais.
Este ponto considero um pouco mais difícil, porque infelizmente, a maior parte dos produtos vendidos em supermercados são testados em animais. No entanto, nada que uma pesquisa no Google não resolva. Várias vezes quis um shampoo, ou um hidratante, pesquisei e todas as marcas que eu usava eram testadas em animais. Agora encomendo online, o meu cabelo agradece porque o shampoo é mais natureba, tenho honestamente sentido grandes melhorias. Se é mais caro? É rés vés campo de ourique. O meu próximo desafio é comprar produtos de limpeza que não sejam testados em animais! 🙂
- Não maltratar animais errantes, e se possível, tomar atitudes preventivas.
Por último, voltamos ao básico. Não enxotar animais de rua, mal tratá-los, envenená-los, matá-los… Há de tudo, infelizmente. A solução para o descontrolo da população animal errante é a castração, e não o abate; portanto, se tiverem hipótese de castrar uma gatinha ou um cãozinho de rua, façam-no, ou contribuam para quem o pretender fazer. Castrem os vossos animais se eles tiverem livre acesso a outros animais do sexo oposto (e da mesma espécie, claramente :p). Alimentem os animais que virem com fome, abriguem animais em noites de temporal ou de festas com foguetes, e, para os corações maiores, façam um resgate de vez em quando. A minha mãe sempre me disse que não posso retirar da rua todos os animais, mas aqueles que tirei e consegui um dono de raça, trouxeram-me um sentimento de missão cumprida inexplicável.
Num próximo post vou falar de como podemos ver os animais sem ser em cativeiro, quais são as nossas opções, porque há taaaaaaaantas para sermos felizes sem crueldade 🙂 e os animais agradecem!















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