Começamos a organizar as nossas férias e a questão impõe-se: levo ou não levo o meu bolinhas de férias?

Em primeiro, é de constatar que os cães não têm o conceito de férias, portanto, na impossibilidade de os levar, não é preciso desistir de ir de férias. Pode parecer exagerado, mas há muita gente que desiste de viajar porque não pode levar os patudos. Mas será que levá-los é mesmo o melhor para eles? Vamos ponderar…

Sou a primeira pessoa a admitir que me custa estar longe dos meus doggies, e a melhor atenuante para essa saudade, é a certeza de que ficaram bem entregues, com alguém em quem confio. E é nisso que nos devemos focar, se decidirmos deixá-los por cá. Mas… como é que sabemos se o nosso cão deve ou não ir connosco de férias?

Bem, em primeiro, é preciso que conheçam bem o vosso cão. Assim serão capazes de saber, por exemplo, qual o nível de energia dele: é um cão que requer muito passeio, é muito irrequieto e brincalhão? Ótimo! Vai ter energia para dar e vender durante as férias, é bom que estejam preparados para isso! Passo a detalhar: se o cão não teve contacto com muitas pessoas, e de repente vai de férias e o querem obrigar a estar debaixo de um guarda sol, numa esplanada quieto ou passear numa avenida com muita música e animação, podem acontecer várias coisas… Uma delas é ele ficar super entusiasmado, começar a puxar a trela e não querer de todo ficar quieto o que será bastante stressante para os donos, OU, se o cão não for assim tão animado, se for mais reservado, poderá ficar stressado e assustado porque não é um ambiente que ele alguma vez tenha visto e foi inserido abruptamente, e pode começar a ladrar, ficar agressivo ou então aterrorizado de medo. Mas nestes pontos, os donos é que devem saber qual é que é a reação do seu cão aos mais diversos estímulos. Ele adora pessoas e quer brincar com toda a gente? Então é pouco provável que tenha uma atitude agressiva quando for inserido no meio de muita gente. No entanto, acho que devem habituá-lo gradualmente a estar numa esplanada, ou a estar debaixo de um guarda sol… Já imaginaram um cão que nunca viu areia, a ir de férias pela primeira vez para o Algarve? Falando por mim, quando o meu cão vê areia só quer correr, esfregar-se, fazer buracos… E ele vai à praia mesmo muitas vezes…

Outro ponto a considerar é: o teu cão tem pouca energia? É idoso? Tem problemas de saúde? Se calhar, se fores para umas férias onde vais ter de andar muito, por exemplo, chegar a cascatas, a rios, entre outras atividades, o teu cão vai preferir ficar em casa, sossegado a dormir. Por outro lado, se fores para umas férias calminhas, onde não exista grande exigência física, não vejo problemas em levá-lo, desde que consideres que o teu cão ficará confortável, quer na viagem, quer na estadia 🙂

O teu cão é extremamente desconfiado em relação a outras pessoas e animais? Aqui, aconselhar-te-ia a que o levasses a um treinador que adote a metodologia de treino/reforço positivo, de modo a poderem fazer alguns treinos de adaptação e depois discutirem se é apropriado ou não levares o teu cão para onde estarão possivelmente outros cães, e provavelmente muitas pessoas. Se for o caso de alugares uma casinha, num sítio não muito “concorrido”, então não deverás ter problemas.

Mas, imaginemos, vamos viajar de avião, e o nosso cão terá que ir no porão… Será que vale a pena sujeitá-lo a 8h de viagem, sozinho, numa box, e a todo o stress envolvido? Acabamos por decidir que não, que o melhor para ele é ficar, então, quais são as nossas hipóteses?

  • PetSitting nas instalações do PetSitter

Esta opção, é a que me parece mais favorável, pois o patudo terá amiguinhos para brincar, alguém a supervisioná-lo, e com sorte, quando chegar para o buscar, ele nem vai querer voltar para casa de tanto que adorou os novos amiguinhos!

Mas é óbvio que isto não é uma solução para todos os cães, há cães mais introvertidos, stressados, idosos ou com problemas de saúde que efetivamente não se divertem quando estão no meio de muitos cães, antes pelo contrário, ficam defensivos e stressados. Aqui, temos de conhecer o nosso cão para saber se é ou não uma boa opção.

  • PetSitting ao domicílio

Este PetSitting serve para os cães que, no último ponto, podem não adorar a ideia de estarem rodeados de outros cães. E portanto, desde que não fiquem confinados o dia inteiro numa divisão pequena, ficarão tranquilos no seu lar, como todos os outros dias da sua rotina. Neste caso, diria que o PetSitter deva fazer pelo menos duas visitas por dia, espaçadas, e que faça passeios de 30 minutos a 1h, dependendo da idade e nível de energia do cão. Aconselho também que se invista em bastante enriquecimento ambiental (brinquedos recheados, petiscos espalhados, etc) para que o cão se mantenha entretido, e talvez não destrua a casa 🙂

  • Hotel para cães

Esta é a opção que mais me desagrada, pois todas as modalidades que vejo nos hotéis para cães incluem boxes. Acho que o cão vai sentir-se como se estivesse em regime de internamento, e não vai contribuir para o seu bem-estar. Se, no entanto, existirem hotéis que optem por outras modalidades, que incluam passeios e liberdade, acho que se pode considerar uma opção!

Ou, então, decidimos mesmo levá-lo! Devemos ter em consideração, que se o destino for quente, existem uma série de preocupações que temos de ter, nomeadamente garantir-lhe condições como água e um sítio fresco para estar durante o dia. Portanto, quer seja uma casa, um apartamento ou um hotel que permita animais, garantam que têm um isolamento minimamente bom ou um método de refrigeração (como ar condicionado). Leiam mais aqui sobre o que podem providenciar ao vosso patudo, para ajudar a ultrapassar o calor.

Se o vosso destino for demasiado frio, como neve, devem garantir que o vosso cão não queima as almofadas plantares na neve, nem passe frio, pois há muitos cães que sentem frio na neve por não terem pelagem adequada.

O mais importante é conhecermos os nossos cães, e tentarmos antecipar se o nosso destino e viagem será divertido ou stressante para eles. 

E é tudo, umas boas férias! 🙂